sábado, 29 de junho de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
DE VOLTA DO FUTURO
O ano é 2030. Cheguei aqui com minha DeLorean, na esperança de encontrar um país mais próspero e livre. Qual não foi minha surpresa quando dei logo de cara com uma enorme estátua de Lula!
Curioso, perguntei a um transeunte do que se tratava. Um tanto incrédulo com minha ignorância, o rapaz explicou que era a homenagem ao São Lula, ex-presidente e “pai dos pobres”. Havia uma estátua dessas em cada cidade grande do país. Afinal, tínhamos a obrigação de celebrar os 150 milhões de brasileiros incluídos no Bolsa Família.
Após o susto inicial, eu quis saber quem pagava por tanta esmola, e se isso não gerava uma nefasta dependência do Estado. O rapaz parece não ter compreendido minha pergunta. Disse que estava com pressa para entrar na fila do pão, e que seu cartão de racionamento ainda dava direito a uns bons cem gramas.
Em seguida, vi na televisão de uma loja um rosto conhecido, ainda que envelhecido. Era o ministro Guido Mantega! E pelo visto ele ainda era o ministro. Ele estava explicando o motivo pelo qual sua previsão de crescimento de 5% não se concretizou. A queda de 3% do PIB havia sido culpa da crise em Madagascar. Mas tudo iria melhorar no próximo ano.
Notei então o preço do aparelho de TV: 100 mil bolívares. Assustado, perguntei ao vendedor do que se tratava, explicando que eu era de fora. O homem disse que, em 2022, após a inflação chegar em 20% ao mês, o governo cortou três zeros da moeda. Pensei logo no bigodudo. Como isso não funcionou, o governo decidiu adotar o bolívar, moeda comum do Mercosul.
Descobri que os países “bolivarianos” chegaram a adotar o escambo, depois que suas respectivas moedas perderam quase todo o valor frente ao dólar. A moeda comum foi uma medida urgente, pois estava difícil efetuar as trocas. O criador de gado argentino precisava encontrar um produtor de soja brasileiro disposto a trocar o mesmo valor de gado por soja. Era um caos!
Levantei ainda alguns dados no jornal “Granma Brasil” (parece que o “controle democrático” da imprensa havia finalmente passado, e o governo se tornou o dono do único jornal no país). A inflação oficial era de “apenas” 30%, mas todos sabiam nas ruas que ela era ao menos o triplo disso. Um centenário Delfim Netto desqualificava os críticos do Banco Central como “ortodoxos fanáticos”.
Não havia mais miserável no Brasil, pois a linha de pobreza era calculada com base no mesmo valor nominal de 2010. Mas havia mendigos para todo lado. Um desses mendigos me pareceu familiar. Eu poderia jurar que era o Mr. X! Mas não poderia ser. Afinal, ele era um dos homens mais ricos do país, e tinha ótimo relacionamento com o governo. O BNDES era um grande parceiro seu.
Foi quando decidi ver que fim tinha levado o banco estatal. Soube que, após o décimo aumento de capital na Petrobras (que agora importava toda a gasolina vendida), e vários calotes dos “campeões nacionais”, o BNDES tinha se unido ao Banco do Brasil e à Caixa, esta falida nos escombros do Minha Casa Minha Vida, para formar o Banco do Povo. O símbolo era uma estrela vermelha.
O Tesouro já tinha injetado mais de US$ 2 trilhões no banco, para tampar os rombos criados na época da farra creditícia. Especialistas gregos foram chamados para prestar consultoria.
Com fome, procurei um restaurante. Todos eram muito parecidos, e tinham a mesma estrela vermelha na entrada. Soube então que era o resultado de um decreto do governo Mercadante em 2018. Em nome da igualdade, todos os restaurantes teriam que fornecer o mesmo cardápio pelo mesmo preço. Frango era item de luxo, e custava muito caro. Continuei faminto.
Veio em minha direção uma multidão de mulheres desesperadas protestando. Quis saber o que era aquilo, e me explicaram que, em 2014, quase todas as empregadas domésticas perderam seus empregos por causa de mudanças nas leis. Havia ficado proibitivo contratá-las. Desde então, elas vagam pelas ruas protestando e mendigando, sem oportunidades de emprego. “O inferno está cheio de boas intenções”, pensei.
Um rebuliço começou perto de mim, e uma tropa de choque surgiu do nada e arrastou um sujeito até a cadeia. Descobri que ele foi acusado de homofobia e enquadrado na Lei Jean Willys, pegando 10 anos de prisão por ter dito abertamente que preferia um filho heterossexual a um filho gay. A pena foi acrescida de 2 anos pelo uso do termo gay, em vez de “homoafetivo”.
Desesperado com tudo, eu ajustei minha máquina de volta para 2013, decidido a fazer o que estivesse ao meu limitado alcance para impedir um futuro tão maldito do meu país.
Rodrigo Constantino é economistaArtigo originalmente publicado em O Globo
domingo, 3 de março de 2013
DECLARAÇÃO ANUAL DO IMPOSTO DE RENDA 2013 - ANO BASE 2012 COMEÇA EM 01 DE MARÇO E VAI ATÉ 30 DE ABRIL
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE IMPOSTO DE RENDA 2013 - ANO BASE 2012
Veja quem está obrigado a prestar contas à Receita Federal:
-Quem recebeu rendimentos tributáveis (salário, aposentadoria e aluguéis) acima de 24.556,65 no ano.
-Quem recebeu rendimento isentos (juros de poupança, FGTS) acima de 40 mil.
-Teve a posse ou propriedade em 31/12, de bens ou direitos (imóveis, terrenos, veículos) acima de R$ 300 mil.
-Obteve ganho de capital na venda de bens e direitos sujeitos ao IR.
-Realizou operações na bolsa de valores, de mercadorias, de futuros e similares.
-Teve receita bruta de atividade rural acima de R$ 122.783,25.
-Deseja compensar, nesta declaração ou nas próximas, prejuízos de anos anteriores com atividade rural.
-Optou pela isenção do IR sobre o ganho de capital obtido na venda de imóveis residenciais.
-Passou em qualquer mês, à condição de residente no país e estava nesta situação em 31/12/2013.
Documentos necessários para fazer sua declaração:
-Declaração do IR de 2012 impressa ou em mídia (Pendrive, CD, etc.);
-Iformes de rendimentos recebidos das fontes pagadoras (Dirf - no caso de assalariados);
-Cópias de recibos/notas fiscais fornecidas a pacientes ou clientes (caso de autônomos);
-Livro-caixa (autônomos);
-Informe de rendimentos do INSS ou de entidades de previdência privada;
-Informe de rendimentos financeiros fornecidos por bancos;
-Informes de pagamento de contribuições a entidades de previdência privada;
-Nome e CNPJ dos beneficiários de pagamentos a pessoas jurídicas (hospitais etc.);
-Documentos sobre rescisões trabalhistas;
-Dados do empregado doméstico com os recolhimentos das contribuições ao INSS;
-Nome e CPF dos seus beneficiados, caso pague pensão alimentícia;
-Nome e CPF dos dependentes maiores de 18 anos;
-Escrituras ou compromissos de compra e venda de imóveis em 2012;
-Nome e CPF dos beneficiários de despesas com saúde (médicos, psicólogos, dentistas etc.);
-Documento de compra e/ou venda de veículos em 2012;
-Documento de compra de veículos/bens por consórcios em 2012;
-Recibos de aluguéis pagos/recebidos em 2012;
-Recibos/carnês de pagamento de despesas escolares dos dependentes ou do próprio contribuinte.
Despesas que podem ser deduzidas da renda tributável:
-Saúde, pensão e INSS - (despesas médicas, planos de saúde, pensão alimentícia judicial e contribuição previdenciária oficial);
-Educação - (limitado a R$ 3.091,35 por pessoa ou dependente);
-Dependentes - (limitado a R$ 1.974,72 por pessoa);
-Previdência privada - (estão limitadas a 12% da renda bruta tributável);
-Aposentados - (a partir do mês que completar 65 anos, considerar isenta a parcela de R$ 1.637,11 por mês dos rendimentos de aposentadoria e pensão);
-Livro caixa - Os autônomos podem deduzir as despesas necessárias para exercício da profissão desde que lançadas em livro caixa.
Despesas que podem ser deduzidas do imposto devido:
-Contribuição à previdência oficial paga pelo empregador doméstico, limitada a R$ 985,96;
-Contribuições ao fundos dos direitos da criança e do adolescente, para icentivo à cultura e à atividade audiovisual;
-Contribuições para o Programa Nacional de Apoio a atenção Oncológica (Pronon) e para o programa Nacional de Apoio à Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/PCD), limitadas, individualmente a 1% do IR devido (no total, 2%).
Período de entrega:
01/03/2013 a 30/04/2013
Mais dúvidas, os leitores podem procurar a empresa Uaia Contabilidade no telefone 3395-7723 ou pelo e-mail laura@uaia.com.br.
Boa Sorte a todos!
Veja quem está obrigado a prestar contas à Receita Federal:
-Quem recebeu rendimentos tributáveis (salário, aposentadoria e aluguéis) acima de 24.556,65 no ano.
-Quem recebeu rendimento isentos (juros de poupança, FGTS) acima de 40 mil.
-Teve a posse ou propriedade em 31/12, de bens ou direitos (imóveis, terrenos, veículos) acima de R$ 300 mil.
-Obteve ganho de capital na venda de bens e direitos sujeitos ao IR.
-Realizou operações na bolsa de valores, de mercadorias, de futuros e similares.
-Teve receita bruta de atividade rural acima de R$ 122.783,25.
-Deseja compensar, nesta declaração ou nas próximas, prejuízos de anos anteriores com atividade rural.
-Optou pela isenção do IR sobre o ganho de capital obtido na venda de imóveis residenciais.
-Passou em qualquer mês, à condição de residente no país e estava nesta situação em 31/12/2013.
Documentos necessários para fazer sua declaração:
-Declaração do IR de 2012 impressa ou em mídia (Pendrive, CD, etc.);
-Iformes de rendimentos recebidos das fontes pagadoras (Dirf - no caso de assalariados);
-Cópias de recibos/notas fiscais fornecidas a pacientes ou clientes (caso de autônomos);
-Livro-caixa (autônomos);
-Informe de rendimentos do INSS ou de entidades de previdência privada;
-Informe de rendimentos financeiros fornecidos por bancos;
-Informes de pagamento de contribuições a entidades de previdência privada;
-Nome e CNPJ dos beneficiários de pagamentos a pessoas jurídicas (hospitais etc.);
-Documentos sobre rescisões trabalhistas;
-Dados do empregado doméstico com os recolhimentos das contribuições ao INSS;
-Nome e CPF dos seus beneficiados, caso pague pensão alimentícia;
-Nome e CPF dos dependentes maiores de 18 anos;
-Escrituras ou compromissos de compra e venda de imóveis em 2012;
-Nome e CPF dos beneficiários de despesas com saúde (médicos, psicólogos, dentistas etc.);
-Documento de compra e/ou venda de veículos em 2012;
-Documento de compra de veículos/bens por consórcios em 2012;
-Recibos de aluguéis pagos/recebidos em 2012;
-Recibos/carnês de pagamento de despesas escolares dos dependentes ou do próprio contribuinte.
Despesas que podem ser deduzidas da renda tributável:
-Saúde, pensão e INSS - (despesas médicas, planos de saúde, pensão alimentícia judicial e contribuição previdenciária oficial);
-Educação - (limitado a R$ 3.091,35 por pessoa ou dependente);
-Dependentes - (limitado a R$ 1.974,72 por pessoa);
-Previdência privada - (estão limitadas a 12% da renda bruta tributável);
-Aposentados - (a partir do mês que completar 65 anos, considerar isenta a parcela de R$ 1.637,11 por mês dos rendimentos de aposentadoria e pensão);
-Livro caixa - Os autônomos podem deduzir as despesas necessárias para exercício da profissão desde que lançadas em livro caixa.
Despesas que podem ser deduzidas do imposto devido:
-Contribuição à previdência oficial paga pelo empregador doméstico, limitada a R$ 985,96;
-Contribuições ao fundos dos direitos da criança e do adolescente, para icentivo à cultura e à atividade audiovisual;
-Contribuições para o Programa Nacional de Apoio a atenção Oncológica (Pronon) e para o programa Nacional de Apoio à Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/PCD), limitadas, individualmente a 1% do IR devido (no total, 2%).
Período de entrega:
01/03/2013 a 30/04/2013
Mais dúvidas, os leitores podem procurar a empresa Uaia Contabilidade no telefone 3395-7723 ou pelo e-mail laura@uaia.com.br.
Boa Sorte a todos!
sábado, 23 de fevereiro de 2013
SAIBA O QUE É UMA DITADURA COMUNISTA
Por Yoani Sanchez.
Uma antena com “bigodes” se projeta pela janela, porém é apenas um disfarce, uma simulação. O sinal televisivo na realidade vem por um cabo que atravessa vários terraços e uma rua. O cabo ilegal traz a várias famílias uma seleção de desenhos animados, novelas e musicais por uns dez pesos conversíveis ao mês. Só o dono de uma parabólica pode decidir o que se pode ver em cada momento. Com o controle remoto nas mãos tem o poder de mudar de canal e decidir a que terão acesso todos os clientes da sua rede. Evita temas políticos para não se meter em problemas e privilegia os reality shows. O resultado final é uma televisão para se alienar, para escapar da cotidianidade, um resumo de pouco valor cultural, porém com muita diversão.
Como concorrente dessa “programação por conta própria” surge, a partir deste domingo, TeleSUR, o canal venezuelano transmitido por satélite. Durante anos nós cubanos só tínhamos acesso a três horas atrasadas da programação desta multiestatal. Agora disporemos de 13 horas e 30 minutos de suas transmissões diretas, com conteúdos que vão desde o informativo ao educativo; da crônica vermelha a transmissão de jogos esportivos profissionais. Uma novidade, sem dúvidas, que não estará isenta de uma alta dose de ideologia. TeleSUR se assemelha a produção do nosso Instituto Cubano de Rádio e Televisão em que se difunde o axioma: os países da ALBA estão tão próximos do paraíso como o resto do mundo do inferno.
http://www.desdecuba.com/generaciony/
Uma antena com “bigodes” se projeta pela janela, porém é apenas um disfarce, uma simulação. O sinal televisivo na realidade vem por um cabo que atravessa vários terraços e uma rua. O cabo ilegal traz a várias famílias uma seleção de desenhos animados, novelas e musicais por uns dez pesos conversíveis ao mês. Só o dono de uma parabólica pode decidir o que se pode ver em cada momento. Com o controle remoto nas mãos tem o poder de mudar de canal e decidir a que terão acesso todos os clientes da sua rede. Evita temas políticos para não se meter em problemas e privilegia os reality shows. O resultado final é uma televisão para se alienar, para escapar da cotidianidade, um resumo de pouco valor cultural, porém com muita diversão.
Afortunadamente não temos que escolher só entre estas duas opções. A antena parabólica “filtrada” ou a visão parcial da TeleSUR não são – hoje em dia – nossas únicas possibilidades. Faz meses que aumentou a oferta de pacotes adquiridos no mercado alternativo que reúnem documentários e séries. Uma televisão por demanda, uma programação ao gosto de cada um que é distribuída em meios digitais como discos duros e memórias USB. Se a produção nacional não se diversifica e aumenta perderá uma parte da sua audiência frente a estes novos competidores e terminará sendo uma acumulação de programas tirados ou pirateados de outras televisões, uma superposição de materiais audiovisuais sem personalidade própria nem atrativo.
Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto
sábado, 7 de julho de 2012
Márcio Lacerda: "eu pensei nos interesses da cidade. Eu quero fazer o melhor para Belo Horizonte".
Questionado se ele sempre visitava pessoalmente as obras no horário de almoço, respondeu que é preciso acompanhar de perto, mas explica que recebeu reclamações sobre dificuldades para travessia de pedestres e, por isso, fez questão de verificar pessoalmente. Vistoriada a obra, Lacerda deu algumas ordens para a pequena equipe que o acompanhava e decidiu continuar a entrevista dentro do carro: "a gente vai falando no caminho de volta para a prefeitura".
A primeira pergunta é a mais óbvia: prefeito, como o senhor explica essa reviravolta? "Vou te contar desde o começo. É uma história que eu vou escrever mais tarde, mas decidi falar para O TEMPO". De maneira muito calma, ele começa a explicar a aliança feita em 2008. Diz que naquele momento, as lideranças de vários partidos buscavam alternativas de recomposição partidária. Aécio Neves e Fernando Pimentel queriam apoiar um candidato que aprofundasse a relação entre a prefeitura e o governo estadual. "O objetivo era dar um caráter mais técnico e profissional", afirma. Mas conta que, logo no começo do governo, teve problemas com o seu vice-prefeito, Roberto Carvalho (PT). "Ele tinha uma estrutura com cerca de 40 pessoas. Falei para ele aproveitar isso para trabalhar a questão da juventude, da região metropolitana e dos empregos". Garante, porém, que nunca teve uma resposta sobre essas demandas.
Apesar disso, o prefeito afirma que a equipe do PT que estava na prefeitura até agora, no rompimento da aliança, era muito competente e dedicada.
Voltando a falar sobre Roberto Carvalho, Lacerda explica que seu vice já estava trabalhando para ser candidato desde 2008 e sem preocupação de esconder o seu propósito. Mas, para o prefeito, a tensão se agravou após a eleição de 2010, quando houve uma grande polarização entre PT e PSDB. "Eu apoiei Dilma", destacou. Lembra que ajudou a criar um comitê em Belo Horizonte para ali mobilizar os prefeitos. E repete de forma enfática: "Eu estava com Dilma no primeiro e segundo turnos. No começo, os petistas nem queriam ir para lá, alegando que eu estava fazendo o Dilmasia. Mas no segundo turno, o comitê funcionou muito bem. Eu apoiei Dilma, e Pimentel para o Senado".
Lacerda avalia que, naquele momento, a polarização foi tão grande que ele reconhecia que seria muito difícil reeditar a aliança. Mas, segundo o prefeito, com o tempo, os ânimos se acalmaram e, em meados de 2011, ele começou a conversar sobre a aliança com lideranças do PT e PSDB.
A ideia era repetir a coligação e manter a vaga de vice com o PT. "Conversei com o senador Aécio Neves, falei para ele que o vice tinha que ser do PT, e ele concordou, avaliou que era possível vender essa tese para a turma dele". Diz que conversou também com o ex-presidente Lula e o presidente do PT nacional, Rui Falcão, que também concordaram com a reedição da aliança. Segundo o prefeito, naquele momento, os próprios petistas reconheciam que Roberto Carvalho não tinha estatura para ser o prefeito de Belo Horizonte e até evitavam o vice-prefeito, que continuava articulando a sua candidatura.
A partir daí começou a discussão sobre o nome para a vaga de vice. "O PT quis colocar o Roberto de vice. Mas isso não dava para aceitar. Mas o Roberto é o presidente do PT municipal, foi uma espécie de prêmio de consolação que ele ganhou. E ele deixou o PT municipal do jeito dele. Deixaram ele dominar a estrutura partidária", fala de forma enfática.
De acordo com o prefeito, na negociação com Rui Falcão, em dezembro de 2011, foi pedido tempo de TV na campanha para o candidato a vice do PT pedir voto para os vereadores. Ele explica que a carta assinada pelo presidente do PSB, Walfrido Mares Guia, fala apenas em negociar com todos os partidos sob condições a serem acertadas. "Pedimos a lista dos nomes dos candidatos para tentar fazer uma composição, mas a lista não nos foi entregue. Falamos que os vereadores tinham que também fazer campanha para o prefeito, mas também não concordaram".
O prefeito diz que desde maio tenta um entendimento entre as partes e, para isso, procurou Aécio e o ex-ministro Ciro Gomes. "O PT entendeu que o senador Aécio queria o rompimento da aliança. Mas não foi isso. O senador Aécio Neves apenas disse a mim e ao Ciro que não era possível o PSDB aceitar a proporcional com o PT, já que os petistas tinham a vaga de vice".
Lacerda conta ainda que em abril deste ano ficou com a "faca no pescoço". "Eu já falei isso. Eu me senti como aquele filho de pais que se separam e ficam, cada um, puxando o menino para o seu lado", compara em tom de reclamação.
O prefeito aproveita para reconhecer um erro. "Eu não aceitei o rompimento em abril. Foi o meu erro. Talvez tivesse sido melhor não tentar o entendimento até o último momento. Fiz isso pensando na cidade. Pedi ajuda para as principais lideranças nacionais do PT, do PSB e do PSDB".
Questionado se ele se sentia usado pelo PT e pelo ministro Fernando Pimentel, Lacerda conta uma historinha. "Durante essas negociações, meu amigo Fernando Pimentel me disse que eu tinha que entender que eu era um peão no tabuleiro do jogo. Um peão. Eu ainda brinquei: nem um cavalo?", conta, com um sorriso sem graça.
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